Um professor meu defendeu o abstrato. Disse que as pessoas têm preconceito com o abstrato, que acham que ele é inútil, que preferem trabalhar com o concreto. Segundo ele, acontece que se abstrai porque há tantas aplicações daquilo que nem precisa dizer quais são, e fica-se trabalhando somente com a estrutura.
Essa não é a minha opinião, mas algum sentido ela faz. É a melhor justificativa para se trabalhar com modelos abstratos: fazer as contas e os raciocínios de uma só vez. Feito isso, é só aplicar no que for preciso, nos motores, no sistema de esgotos, no crescimento populacional. O problema é que muitas aplicações são também "abstratas", ou seja, desenvolve-se matemática para resolver problemas da própria matemática. E isso é questionável, tendo em vista que dinheiro público é investido nisso.
(PS: Não foi bem assim o argumento dele... Mas também o raciocínio dele não foi bem límpido.)
quarta-feira, 18 de março de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
dos salários
Sei que há várias opções para quem faz um curso de Matemática. Contudo, o meu enfoque serão os matemáticos que se dediquem à vida acadêmica, que envolve, principalmente, pesquisar e dar aula em universidades. (O tipo que provavelmente me tornarei no futuro.)
Sinto que os salários que os professores universitários ganham são muito altos. Que o que fazem não é tão difícil (bom, cada um terá a facilidade de desempenhar seu emprego conforme treine e ganhe prática...), e principalmente não tão útil para que ganhem tanto.
A maior infelicidade é que agricultores ganhem tão pouco por fazerem o que há de mais importante. Putz, enquanto trabalha-se para ensinar a base de matemática para engenheiros projetarem elevadores, aqueles que retiram o alimento da terra têm um trabalho árduo e são mal recompensados.
E tudo isso está sustentado no fato de que matemática não é tão útil à sociedade. Serve sim para projetar sistemas de esgotos, mas ainda assim há coisas que se estuda só por luxo, só por prazer, por não haver aplicação. (Aqui, um detalhe: pode ser que qualquer coisa inventada hoje tenha aplicação no futuro. Hardy era um matemático que tinha orgulho de sua condição de produzir matemática que não fosse diretamente aplicada ao mundo real. Hoje a área que ele pesquisava é fundamental para bancos e internet. [Não diminui a desigualdade social, note-se. Só facilita a dominância de quem detém o poder.])
Apesar de tudo, tenho que admitir que geralmente se precisa de uns dez anos até alguém se tornar um matemático mesmo, enquando um engenheiro ou médico precisa somente da metade e ganha muito mais, supostamente. (Devem ficar milionários muito rapidamente.) (Aliás, já houve quem desistisse da carreira matemática porque descobriu que ganharia "pouco".)
Sinto que os salários que os professores universitários ganham são muito altos. Que o que fazem não é tão difícil (bom, cada um terá a facilidade de desempenhar seu emprego conforme treine e ganhe prática...), e principalmente não tão útil para que ganhem tanto.
A maior infelicidade é que agricultores ganhem tão pouco por fazerem o que há de mais importante. Putz, enquanto trabalha-se para ensinar a base de matemática para engenheiros projetarem elevadores, aqueles que retiram o alimento da terra têm um trabalho árduo e são mal recompensados.
E tudo isso está sustentado no fato de que matemática não é tão útil à sociedade. Serve sim para projetar sistemas de esgotos, mas ainda assim há coisas que se estuda só por luxo, só por prazer, por não haver aplicação. (Aqui, um detalhe: pode ser que qualquer coisa inventada hoje tenha aplicação no futuro. Hardy era um matemático que tinha orgulho de sua condição de produzir matemática que não fosse diretamente aplicada ao mundo real. Hoje a área que ele pesquisava é fundamental para bancos e internet. [Não diminui a desigualdade social, note-se. Só facilita a dominância de quem detém o poder.])
Apesar de tudo, tenho que admitir que geralmente se precisa de uns dez anos até alguém se tornar um matemático mesmo, enquando um engenheiro ou médico precisa somente da metade e ganha muito mais, supostamente. (Devem ficar milionários muito rapidamente.) (Aliás, já houve quem desistisse da carreira matemática porque descobriu que ganharia "pouco".)
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
a inutilidade da matemática
Parece que não há nenhum motivo para se convocar um matemático para alguma tarefa. (Diga-se a verdade: há outras profissões com o mesmo status. Por exemplo, um filósofo.) Não há nada no dia-a-dia que possa ser resolvido com ajuda da matemática. Saber provar a desigualdade de Cauchy-Schwarz, conhecer o Teorema de Stokes ou a série de potências do cosseno não adiantam nada. Só para aplicar e obter resultados mais complicados que menos ligação têm com a vida comum.
Só se presta ajuda para empresas: quem quer maximizar os lucros, contabilizar os negócios, saber a hora de investir. Isto é triste. Não quero servir a empresas nem a bancos. E passar adiante o conhecimento não será tão útil, já que só alimenta o ciclo. Como o homem que estudou, pesquisou, passou a vida inteira descobrindo como caçar dragões. Em sua velhice, percebendo que não existiam dragões, resolveu... ensinar a caçar dragões!
Matemática não reduz a desigualdade social, não alimenta os pobres (a não ser aqueles que estudem e sejam merecedores de bolsas de estudo e posteriormente salários de professores universitários). Não é tão útil. É ciência do capitalismo, de direita, que prefere manter as coisas como estão a mudá-las. Estudar matemática não mudará o sistema, nem nada. É uma solução individual para a vida. (Educação básica muda as pessoas, sim, construção escolas previne contra construção de prisões. Mas não se pode dizer o mesmo da matemática avançada que poucos chegam a conhecer.)
Só se presta ajuda para empresas: quem quer maximizar os lucros, contabilizar os negócios, saber a hora de investir. Isto é triste. Não quero servir a empresas nem a bancos. E passar adiante o conhecimento não será tão útil, já que só alimenta o ciclo. Como o homem que estudou, pesquisou, passou a vida inteira descobrindo como caçar dragões. Em sua velhice, percebendo que não existiam dragões, resolveu... ensinar a caçar dragões!
Matemática não reduz a desigualdade social, não alimenta os pobres (a não ser aqueles que estudem e sejam merecedores de bolsas de estudo e posteriormente salários de professores universitários). Não é tão útil. É ciência do capitalismo, de direita, que prefere manter as coisas como estão a mudá-las. Estudar matemática não mudará o sistema, nem nada. É uma solução individual para a vida. (Educação básica muda as pessoas, sim, construção escolas previne contra construção de prisões. Mas não se pode dizer o mesmo da matemática avançada que poucos chegam a conhecer.)
Introdução
Este blog tem a intenção de apresentar os aspectos sociais da vida de um matemático: sua função na sociedade, tentativas de esboçar um comportamento comum, talvez ensaios sobre a possibilidade de conhecimento.
Mas nada poderá dizer o que este blog será do que o que será.
Há um preciosa ambiguidade no nome do blog: O Vetor Normal pode significar tanto a vertente canônica, que segue os padrões, seguindo o significado comum de 'normal', como aquela que é heterodoxa, "ortogonal" às outras, que segue em outra direção, entendimento resultante do sentido matemático de 'normal'.
Mas nada poderá dizer o que este blog será do que o que será.
Há um preciosa ambiguidade no nome do blog: O Vetor Normal pode significar tanto a vertente canônica, que segue os padrões, seguindo o significado comum de 'normal', como aquela que é heterodoxa, "ortogonal" às outras, que segue em outra direção, entendimento resultante do sentido matemático de 'normal'.
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